Três perguntas para Oscar Nakasato
O autor de Ojiichan e Nihonjin fala sobre velhice, imigração e cultura japonesa

Em Ojiichan você retrata um professor septuagenário. Como construir um personagem com idade avançada sem recorrer aos clichês de sempre?
Quando crio um personagem, sempre procuro escapar dessa armadilha que é o “clichê”, o que não é difícil se pensamos na diversidade de pessoas que existem dentro de um determinado perfil amplo. Eu olho ao meu redor e vejo velhos com características diferentes. Cada velho carrega uma história que o tornou quem ele é, e esse ser humano deve ser respeitado em suas peculiaridades. O que vemos com frequência é o velho ser enquadrado numa caixinha, que requer dele um determinado tipo de comportamento.
Imigração é a força motriz do seu romance Nihonjin. Em tempos de Donald Trump no poder novamente, fica um questionamento: o que ainda não entendemos sobre a importância cultural da imigração?
Considerando a grande popularidade de líderes como Donald Trump, entendo que ainda estamos distante de uma compreensão coletiva da importância da imigração para a riqueza cultural de uma nação. A própria cultura multifacetada dos Estados Unidos é um exemplo. O mesmo ocorre em relação ao Brasil. O imediatismo, a negação da história, o racismo e a prevalência dos interesses econômicos atuam contra essa compreensão. Ainda que haja exceções, felizmente vejo que no nosso país o imigrante é acolhido com carinho tanto por parte do governo quanto pela população.
O que mais te emociona ao retratar a cultura japonesa nos seus livros?
Quando eu retrato essa cultura, falo sobre mim, sobre os meus pais, meus irmãos, meus tios e primos. Não há como considerar a ausência de emoção nesse contexto. A inserção de elementos da cultura japonesa e da cultura nipo-brasileira nos meus romances, desde a gastronomia até aspectos da religião budista, passando por costumes domésticos e itens de mobiliário, é fruto de pesquisa, mas também os busco na memória. Quando escrevi Nihonjin, a simples referência à sopa misosshiro e à expressão itadakimasu, usada antes das refeições em agradecimento à comida, já me emocionavam. O esporte gateball, que está presente em Ojiichan, me remete a um período em que os meus pais treinavam no quintal da nossa casa.

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