Jornalista Simone Duarte fala sobre o Onze de Setembro
Autora de “O vento mudou de direção: o Onze de Setembro que o mundo não viu” responde três perguntas sobre o atentado, 21 anos depois
Um ano depois da saída dos EUA do Afeganistão, o Onze de Setembro acabou?
O Afeganistão hoje é uma terra de deprimidos, um povo sem forças para reagir. Há uma geração no Afeganistão que nem sabe o que foi o Onze de Setembro de 2001, mas vive na pele as consequências deste dia há 21 anos. Cresceu com atentados suicidas contra as tropas internacionais que ocuparam o país durante vinte anos; com a violência que deixou milhões de mortos e refugiados espalhados pelo mundo e com a sucessão de governos corruptos sustentados com dinheiro do Ocidente. Agora, um ano depois da tomada de Cabul pelo Talibã, perdeu os avanços que tinha conseguido principalmente em relação às mulheres. Os EUA, que prometeram não abandonar o Afeganistão como fizeram depois do fim da Guerra Fria, repetem a história, assim como as nações ocidentais deixaram de dar qualquer atenção ao país, que vive uma de suas piores crises econômicas com metade da população sofrendo de fome crônica e sem qualquer esperança de um futuro melhor.
Que marcas essa guerra deixou no século 21?
Um dos personagens de O vento mudou de direção diz em determinado momento que “os Estados Unidos tiveram um Onze de Setembro, mas o nosso Onze de Setembro dura até hoje”. Esta é a realidade no Afeganistão; é a realidade no vizinho Paquistão; no Iraque, que vive um momento político muito complicado entre facções xiitas que lutam violentamente pelo poder. Não podemos esquecer que o Estado Islâmico é o resultado da Guerra ao Terror. A guerra no Iraque e a política americana pós Onze de Setembro foram uma tragédia para a região: é só olhar para o que aconteceu na Síria, na Líbia e no Iêmen, com consequências também para a Europa, que foi forçada a receber milhões de refugiados. A consequência ainda mais perversa é o preconceito contra os muçulmanos e árabes. É trágico existirem campos de refugiados onde vítimas do Estado Islâmico convivem com as famílias dos algozes. Infelizmente parece que não aprendemos com a História e voltamos a repetir os erros que vão continuar perpetuando mais guerra e violência.
Por que contar pequenas histórias dentro de uma grande história?
São os medos, emoções, lembranças, sofrimentos de quem é exposto a situações extremas que expõem o nosso pior e o nosso melhor. As sete vidas de O vento mudou de direção representam milhões de outras invisíveis em quinze segundos nos noticiários ou nos 140 caracteres de redes sociais. Essas sete protagonistas dão rosto aos números, e espero que façam o leitor parar por alguns instantes para ouvir os vários lados e as várias nuances de uma história que para milhões de pessoas daquele lado do mundo não têm fim.

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